quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Visita à Igreja São Domingos depois do restauro.

Em novembro de 2015, visitei, junto com a turma do CECI, a obra de restauro  da Igreja São Domingos, localizada no Pelourinho em Salvador. No post Restauro de pinturas parietais - Igreja de São Domigos - Salvador- Nov-2015 falamos das metodologias e técnicas que estavam sendo usadas.

Em novembro de 2017, visitei novamente a Igreja, já com a obra de restauro finalizada. Abaixo seguem fotos do resultado. A última imagem mostra que o projeto de restauro contemplou também a acessibilidade.


*imagens da autora
Postado por Cristiane Py

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Segue a dica: os livros de cabeceira.


Acima vemos a imagem dos livros que fazem parte da coleção Artes&Ofícios publicados pela Ateliê Editorial e que contém os principais textos dos pensadores que refletiram e atuaram na área da restauração e da preservação. 

Todos os livros contém textos de apresentação de estudiosos contemporâneos - Beatriz Kühl, Andrea Pane, Giovanni Carbonara, Maria Lucia Bressan Pinheiro, entre outros - que introduzem o leitor na rica leitura que se seguirá.

O livro número 01 - Restauração, de Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc - foi assunto do segundo post do blog: O Arquiteto, O Pesquisador, O Inspetor, O Restaurador, O Gestor e também foi inspiração para o post Missão Cumprida.

O livro número 07  - A Lâmpada da Memória, de John Ruskin - foi assunto do primeiro post do blog - O Escritor, O Crítico, O Romântico, O Humanista.

Os demais livros são:

- Número 03 - Os Restauradores, de Camillo Boito.

- Número 05 - Teoria da Restauração, de Cesare Brandi.

- Número 08 - O Catecismo da Preservação de Monumentos, de Max Dvorák.

- Número 09 - Gustavo Giovannoni - Textos Escolhidos.

- e finalizando a coleção, o número 10 - Cartas a Miranda - Sobre o Prejuízo que o Deslocamento dos Monumentos da Arte da Itália Ocasionaria às Artes e à Ciência de Quatremère de Quincy.

Fica aqui a dica dos livros de cabeceira para todos os interessados na preservação do patrimônio edificado!!!


*imagens da autora

Postado por Cristiane Py

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

ArquiMemória 05 - Encontro Internacional sobre Preservação do Patrimônio Edificado

No final do mês passado teve início em Salvador - BA, o encontro internacional ArquiMemória 5. Foram 5 dias de palestras, mesas redondas, apresentação de trabalhos e lançamentos de livros voltados para a Preservação do Patrimônio Cultural.

Difícil expor tudo o que foi discutido no encontro mas resolvi eleger, para este post, um projeto apresentado pelo consultor da Unesco e arquiteto italiano atuante há mais de 50 anos na área da preservação e do restauro, Andrea Bruno.

O arquiteto abriu o primeiro dia de palestras falando sobre a sua vivência de criança no período de guerra; sobre as casas bombardeadas e destruídas; sobre os brinquedos quebrados e sobre as memórias perdidas.

Falou também da destruição dos Budas de Bamiyan no Afeganistão e das Torres Gêmeas em Nova Iorque (vamos fazer um post só sobre esse assunto, aguardem!) e mostrou vários projetos executados durante a sua carreira.

O projeto que vamos falar neste post será a restauração e adaptação em campus universitário do Fort Vauban na cidade de Nimes na França, projeto de 1991-95.

Escolhi para falar desse projeto por 2 motivos:

- Já falamos aqui no blog de uma intervenção na cidade de Nimes no post A importância do diálogo nas intervenções de restauro - Parte III.

- No post A importância do diálogo nas intervenções de restauro, finalizei colocando a questão abaixo:

"Seria válido apresentar um projeto que não atendesse ao edital do concurso? A resposta é sim. Apesar do risco de desclassificação há alguns casos de projetos vencedores com soluções mais bem resolvidas e que propunham novas diretrizes fugindo das impostas pelo edital."

O projeto, para restauração e adaptação do Fort Vauban do arquiteto Andrea Bruno em Nimes, foi vencedor de um concurso de arquitetura aonde ele propôs novas diretrizes, fugindo das que constavam no edital, acreditando que não só era importante a preservação do Forte, como também a preservação da memória do antigo presídio que funcionou no local até o ano de 1991. 

O partido do projeto buscou: o mínimo de demolições; revitalizar as construções pré-existentes; não apagar os traços do tempo e construções novas não sobrepostas às existentes. Além disso, as novas intervenções foram projetadas de forma a serem apoiadas e reversíveis e explicou que reversível não significa provisório, mas sim que possibilite novas adequações no caso de mudança de uso ou novo programa.

Abaixo imagens do projeto.

Croqui

imagem aérea google earth
Passarela de acesso sobre o antigo fosso do Forte
À esquerda nova edificação.
À direita edificação revitalizada.
Teatro com estrutura de fácil reversibilidade (no caso de mudança de uso ou novo programa)
Conforme falei no começo do post, foram 5 dias de ricos debates. O projeto da Universidade de Nimes foi apenas um dos vários bons projetos apresentados no encontro, mas continuem acompanhando o nosso blog pois postaremos interessantes temas discutidos no ArquiMemória 5.

* imagens da web - acesso dez-2017

Postado por Cristiane Py

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Castelo Saliceto - Um projeto de restauro


A imagem que vemos acima é do Castelo Saliceto, na Itália, após intervenção de restauro de autoria do escritório de arquitetura armellino&poggio.

Esse projeto, vencedor do Prêmio Internacional Domus Restauro e Conservação Fassa Bartolo, prevê o uso da edificação como uma garantia para a sua preservação (lembrando que o uso é uma das principais premissas para a conservação de um bem cultural).

A construção do castelo, resultado de sucessivas transformações, ainda mantinha as características típicas de uma arquitetura fortificada apesar da perda de uma das 4 torres do conjunto.

Abaixo, vemos imagens do projeto onde podemos visualizar a edificação antes da intervenção e a proposta de restauro.

A nova torre, que usa materiais contemporâneos, recompõe a volumetria do conjunto sem criar um falso histórico. A nova estrutura, independente da edificação pré existente, comporta a circulação vertical com escada e elevador.

"A restauração, para representar uma operação legítima, não deverá presumir nem o tempo como reversível, nem a abolição da história."

Cesare Brandi - Teoria da  Restauração - pag. 61




Para mais detalhes do projeto de restauração do Castelo Saliceto acesse os sites abaixo:


*imagens da WEB - acesso em nov/2017

Postado por Cristiane Py

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Frase inspiradora:

"Tanto a revitalização de um edifício existente quanto a inserção de uma obra moderna em um entorno histórico são, [...], operações extremamente delicadas. Não só pelos efeitos da incorporação de nova tipologia funcional, que pode ser necessária, mas pela qualificação formal dessa tipologia que, sem cair na mera imitação, seja capaz de alcançar a continuidade cultural que foi natural na arquitetura durante séculos, sem perder por isso sua própria modernidade, essa continuidade tornada tão difícil pelas grandes transformações do século XIX e pelas transculturações que caracterizam nossos países [latino-americanos]."

Marina Waisman
O Interior da História: historiografia arquitetônica para uso de latino-americanos - pag.194

Postado por Cristiane Py

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Seminário Internacional de Segurança Contra Incêndios em Edificações de Interesse Histórico

Incêndio Museu da Língua Portuguesa - SP - 2015
Na semana passada aconteceu em São Paulo o Seminário Internacional de Segurança Contra Incêndios em Edificações de Interesse Histórico realizado pela FUNDABOM - Fundação de Apoio ao Corpo de Bombeiros da PMSP.

O seminário abordou importantes questões  para a preservação do patrimônio edificado em um momento que nos deparamos com vários casos recentes de incêndios. Só em São Paulo podemos citar: o auditório do Memorial da América Latina; o incêndio no Instituto Butantã (com a perda de um dos maiores acervos biológicos do mundo) e o Museu da Língua Portuguesa. 

Incêndio Instituto Butantã - SP - 2010
Vamos falar de algumas questões que foram debatidas:

- IT40 - Instrução Técnica 40 do Corpo de Bombeiros de São Paulo. Voltada para a segurança contra incêndio às edificações históricas e de interesse do patrimônio histórico-cultural, a IT 40 de 2011 está sendo revisada, sendo um dos objetivos do seminário a elaboração de um documento de referência que auxilie esta revisão.

- O Incêndio do Museu da Língua Portuguesa - SP -  Após análise dos vídeos, vistorias e laudos, foi verificado que o foco do incêndio aconteceu na área da exposição temporária. Verificou-se que a cenografia, com muitos livros, madeiras e tecidos, aumentou a carga de incêndio prevista para um museu. A alta carga de incêndio do local (tecidos, papéis, madeiras) estava incompatível com a baixa carga considerada no projeto. A parte elétrica também foi alterada para atender a exposição, aumentando a carga da iluminação do ambiente. A falta de compartimentação na edificação ajudou a rápida propagação do fogo. 

Conclusão: será proposto, na revisão da IT40, que exposições temporárias deverão ter os projetos aprovados pelo corpo de bombeiros e avaliados caso a caso e, se necessário, deverá ser previsto um complemento da segurança de acordo com a carga de incêndio prevista, o uso e a quantidade de público. O controle de material (ignifugantes) no uso de exposições temporárias também será proposto.
Incêndio Memorial da America Latina - SP - 2013
Incêndio Memorial da America Latina - SP - 2013
- O Incêndio no auditório do Memorial da America Latina - SP - O foco do incêndio foi confinado em uma área técnica de difícil acesso, localizada entre a cobertura e o forro. Os bombeiros chegaram ao local com menos de 5 minutos do chamado. O projeto de arquitetura, que não previa um escoamento da fumaça, fez a edificação se tornar, nas palavras do 1o tenente Alexandre Proença, um forno de concreto com forro de madeira, dificultando o trabalho dos bombeiros. A quebra dos vidros das janelas para escoamento da fumaça foi a primeira atitude a ser tomada, mas uma forte explosão fez com que todos tivessem que se retirar do local.

Incêndio em Casarão Histórico da cidade de Iguape - SP - 2017

- As cidades históricas - Muitas cidades patrimônio cultural não possuem corpo de bombeiros. No caso da cidade de Iguape, o corpo de bombeiros se localiza na cidade vizinha de Ilha Comprida.

- Atualmente os projetos em edificações tombadas são primeiramente aprovados nos órgãos de preservação (municipal, estadual e federal) para depois serem aprovados pelo corpo de bombeiros. A sugestão é inverter a ordem de aprovações, sendo o corpo de bombeiros o primeiro a avaliar o projeto. Essa sugestão foi proposta por profissionais que trabalham como técnicos dos órgãos de preservação.

- Construções em taipa e adobe foi outro assunto discutido em função da inviabilidade de sistemas de hidrante embutidos nas alvenarias, bem como a água poder causar tanto dano na edificação quanto o fogo. A sugestão foi o uso de coluna seca e externa e extintor com gás inerte ou névoa de água.

- A comissão técnica do corpo de bombeiros está aberta para análise dos argumentos que proponham um projeto de intervenção em um patrimônio edificado que fuja às regras gerais, tendo consciência que no caso do Patrimônio Cultural nem sempre as regras poderão ser seguidas. A avaliação caso a caso também é adotada para projetos novos e reformas. No caso do SESC 24 de maio em São Paulo, a não compartimentação vertical foi compensada por projeto de sprinkler adicional na área da rampa que atende a todos os pavimentos.

- Todos os palestrantes (nacionais e internacionais) comentaram que é durante as obras que a edificação patrimônio cultural fica mais vulnerável a incêndios. Foi citado o caso do incêndio do Castelo de Windsor em 1992 e do Templo Horyu no Japão em 1949, neste último com a perda de um afresco.
Incêndio Castelo de Windsor durante as obras, Inglaterra - 1992
- No caso de acervos de bibliotecas, recomenda-se o uso de névoa e não de água ou o sistema que reduz o oxigênio com a substituição por nitrogênio que permite a respiração dos ocupantes. No caso de documentos molhados, estes devem ser congelados para melhor preservação.

- No Museu do Louvre não há brigada de incêndio, mas sim um corpo de bombeiros próprio.

- O Reino Unido já adotou, desde 2006, a fiscalização pelo corpo de bombeiros nas edificações. Mudança cultural que está dando resultado para a diminuição de sinistros.

Sistema de combate à incêndio - Shirakawa-go, Japão
- A preocupação em evitar incêndios não deve ser focada só no patrimônio mas também no seu entorno, principalmente nas cidades antigas onde as edificações são coladas uma nas outras. No Japão é adotado o sistema Drescher, que podemos explicar como um chuveiro dilúvio (ver imagem acima).

- Para finalizar devemos ter consciência que, tão importante quanto o AVCB, é a gestão das edificações. A manutenção cotidiana e o controle dos circuitos elétricos, da prática de fumar, dos trabalhos a quente e das alterações de layout ou de uso, bem como treinamentos e simulados são fundamentais para a diminuição de sinistros.

*imagens da WEB - acesso em outubro-2017

Postado por Cristiane Py

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Um exemplo de recuperação de estrutura em concreto armado

Tivemos vários posts no blog falando de técnicas de restauro dos ofícios tradicionais. Por isso hoje vamos falar do restauro de estruturas em concreto armado, tendo como exemplo um trabalho fiscalizado pelo nosso escritório.

O trabalho, que apresentaremos neste post, foi a revitalização de sacadas de edifício residencial. As estruturas recuperadas se referem as lajes de concreto do piso do terraço em balanço dos pavimentos tipos.

Como poderemos observar nas imagens abaixo, a estrutura de concreto se encontrava deteriorada por causa da oxidação das armaduras.

Após a retirada dos guarda-corpos em alumínio se evidenciou ainda mais a degradação.

Abaixo imagens dos componentes da estrutura/fixação em ferro dos guarda-corpos mostrando seu estado de deterioração.

O primeiro procedimento para recuperação da estrutura foi escarificar a área da laje onde ocorreu oxidação das armaduras. Nas imagens abaixo temos a estrutura já sem o concreto desagregado e a armadura limpa.

O passo seguinte foi tratar a armadura com Nitto Primer (material de galvanização a frio) 

Para melhor aderência do concreto novo com o antigo foram utilizadas telas metálicas galvanizadas, além do uso do adesivo Compound. Em seguida executou-se a forma de madeira.

Abaixo vemos a laje refeita e o piso da sacada em granito já recuperado. Reparem o detalhe do pino em aço inoxidável fixado com bucha química substituindo o antigo componente de fixação de ferro.

Conclusão:

A degradação da estrutura em balanço de concreto armado das sacadas foi causada pela infiltração de água e oxidação da ferragem ocasionando rachaduras, desagregação do concreto e surgimento de vegetação.

A infiltração da água na estrutura surgiu no local da fixação dos guarda-corpos em função da não compatibilidade entre ferro e alumínio.

*imagens da autora

Postado por Cristiane Py